LEALL: O MACHADO E A PAZ

Capa do Texto por: @diretortales e @motxgabriel

Dentro da arte sempre existiram pessoas com uma habilidade fora da curva de inspirar e despertar partes do nosso subsconsciente que nem sabiamos da existência, e isso não poderia ser diferente no movimento Hip-Hop.

O rapper Leall definitivamente possui essa habilidade. Uma vez tive o privilégio de ler que o Leall quando canta, inspira como se fosse um soldado responsável por inspirar um pelotão inteiro antes de ir pra guerra; e acredito que isso seja verdade, visto que a música é algo espiritual, e há aqueles que de fato possuem um propósito nela.

Partindo de Esculpido à Machado (EAM), um disco de Xangô, o orixá da justiça, que tem como narrativa a sobrevivência na Zona Norte do Rio de Janeiro, um absoluto cenário de guerra e descaso, governada por um estado paralelo; Leall, de forma agressiva, e delicada (quando necessário), trás a tona diversos tópicos diferentes do cotidiano e desenvolvimento do homem negro periférico no Rio de Janeiro. Temas como o crime, vício e redenção, são abordados de maneiras profundas mas ao mesmo tempo de fácil absorção por parte do ouvinte, devido aos instrumentais coesos com tudo aquilo que é versado.

Primeiro álbum do Leall – “Esculpido à Machado”

Em seu projeto seguinte, Eu Ainda Tenho Coração, ele mergulha em um mar de sentimentos calorosos; esse álbum, regido por Oxóssi, o orixá do coletivo, tem o intuito de demonstrar um outro foco em relação ao contexto narrado em seu primeiro projeto; com diversas faixas falando sobre o amor a sua família, e o sentimento de responsabilidade diante os seus, a nossa geração de jovens ansiosos e preocupados com o amanhã, se identifica absolutamente com aquilo que é abordado.

Segundo álbum do Leall – “Eu Ainda Tenho Coração”

Não irei levar em consideração EP’s e Singles visto que eles possuem propósitos particulares, entretanto não há como não mencionar a trajetória do Leall em seu início, como por exemplo na rádio de grime brasileira “Brasil Grime Show”. Nessa epóca Leall estava faminto, ele tinha o brilho em seus olhos emanando a sua vontade de crescer; e com suas rimas ele facilmente se destacou entre os demais e deixou clássicos absolutos como “Cachorrada – Leall feat. VND” por exemplo. 

Leall cantando a faixa “Cachorrada – Leall feat. VND” em sua participação na rádio Brasil Grime Show

É explícito que cada geração do Rap possui um ou alguns gênios, e acredito que um dos gênios da nossa seja o Leall, existe uma similaridade clara em seus projetos quando comparados a álbuns como “Traficando Informação” do MV Bill, ou “Pra quem já Mordeu Um Cachorro Por Comida” do Emicida; não estou dizendo que são parecidos musicalmente ou estéticamente, mas sim que sua estrutura, delicadeza, e sentimento, são extremamentes similares e singulares. Vamos acompanhar para ver até onde esse gênio irá nos surpreender…

Um salve à criatividade.

MV Bill no MTV Free Jazz Festival cantando a faixa “Soldado do Morro – MV Bill” com uma arma na cintura no palco
Leall e VND em sua participação a radio @Lapa55, com ANTCONSTANTINO na mixagem
Projeto mais recente do Leall – “Você Precisa do Álibi”

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